17 de março de 2010

Mitternacht

Enquanto aquele odor fétido adentrava as narinas e a noite avançava para dar lugar ao sol, continuávamos andando. Apesar de toda aquela sujeira, toda aquela podridão e de toda a miséria presenciada, não nos importávamos e mantinhamo-nos caminhando. 4 horas da manhã e lá estávamos, expostos a todos os riscos, a toda a sorte de gente inadequada e de aparência soturna que um lugar daquele podia nos proporcionar. Realmente Não nos importávamos. A vontade quase inconsequente de buscar diversão praticamente a todo o custo nos impeliu para ir até lá, de novo. A segunda vez em duas vezes que saímos juntos e paramos lá. Por alguma razão parece que toda aquela degradação nos atrai: Bares vendendo bebidas a preços irrisórios, mulheres expostas como mercadorias, lixo, carcaças de carros e uma mistura quase explosiva de cigarro com perfume barato pairando no ar. Por alguma razão achamos isso natural e só fomos embora porque o cansaço se abateu sobre todos.
No fim de tudo, o que fica são as lembranças e as pessoas. Só queríamos estar juntos e celebrar. Nada especial, mas pelo menos estávamos juntos, e é isso que realmente importa.

Um comentário:

Cláudia Barroso disse...

De facto, o que mais importa na vida é não estarmos sozinhos. Estejamos em qualquer lugar, a qualquer hora, desde que nos encontremos com uma boa companhia já tudo valeu a pena. Excelente texto, parabéns.